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Contradições geram inovação ou inércia? Parte II

Contradições geram inovação ou inércia? Parte II

Na parte 1 deste post, vimos que as contradições geram inovação ou inércia, abordamos o fato de que, mesmo com muito dinheiro disponível, e com muita tecnologia, as contradições da vida, particularmente as da sociedade, nem sempre são resolvidas, porque o foco não é o Ser Humano, e sim a geração de riqueza para as empresas.

Bom, agora vamos olhar os modelos de autossuficiência (senzalas) que algumas destas grandes corporações e outras nem tão grandes assim, tem reinventado gerando um modelo de “escravidão”. Uhau, escravidão? Você pegou pesado demais. Pode ser, mas a modelagem merece, no mínimo, uma análise e um acompanhamento de perto.

Vamos lá, você seria a favor que sua empresa te desse carro, computador, wireless, celular, roupa lavada, oficina mecânica, saúde, comida…. A primeira resposta sem muito cuidado seria sim é claro. Mas será que é mesmo tão claro? Vale a pena mesmo ser membro de uma equipe nesta empresa? Você daria tudo por esta vaga de emprego ou mesmo para transformar sua empresa em uma semelhante?

Não deixe que as provocações te coloquem contra mim ainda, porque no fim, você vai entender que meu objetivo não é destruir nenhum modelo, em detrimento de outro, mas, o de fazer uma reflexão sobre modelos que transformam organizações e como eles podem ser úteis para transformar a sociedade também, e aí vamos conectar os homeless (sem teto).

Então, de volta aos grandes conglomerados que estão demandando foco total de seus colaboradores e para isso, são capazes de colocar a sua disposição tudo, para que sua atenção não seja disputada com nada a mais do que produzir.

Até aí tudo muito bem, mas a minha dúvida ou provocação é se você está entrando nessa jornada analisando a embalagem do que estão te entregando?

Os objetivos de produzir mais, tem feito os chicotes de hoje não doerem como doíam antigamente no corpo, mas produzirem efeitos na sociedade como já produziram no passado, pois os alienados escravos não tinham voz nem vez, por obvias razões, mas os "escravos ou colonos" de hoje, estão alienados por outras razões e não são capazes de usar sua "liberdade" para tirar homeless da escravidão das ruas, ou será que este tipo de abordagem estratégica não atrai investidores?

Sei que parece ser politicamente incorreto dizer estas coisas, pois novamente, um desavisado, poderia achar que meu objetivo é crucificar grandes empresas, mas eu não tenho esta intenção. Sou pró-mercado, mas esta contradição foi muito dura para o meu provável fraco estômago social, ou melhor ainda, para o meu coração capturado por Jesus e seu evangelho. Se Jesus estivesse nas ruas hoje, será que ele não se incomodaria com isso? Se ele estivesse na “carpintaria” das corporações de hoje, ele e seu pai focariam em produtividade a qualquer custo ou olhariam o quanto sua empresa poderia transformar esta realidade dura?

Produtividade extrema é ótimo e deve ser o objetivo de toda empresa, porém o seu time deveria ser levado a entender exatamente porque cada uma das iniciativas de aumento de produtividade existem, para que, usando sua liberdade e compreensão, escolham racionalmente olhar para o próximo também e utilizar parte deste aprendizado da produtividade que é gerada, para influenciar a si e sua empresa a se juntarem na jornada da dor do próximo e pensarem ainda mais no ser humano vulnerável, resgatar mais pessoas da miséria, fazer com que pessoas com algum tipo de limitação possam voltar a sonhar com uma vida normal, cheia de alegria, o que faria o mundo corporativo ainda mais produtivo e as cidades ainda mais felizes, sem falar que sua empresa poderia ser uma tremenda agente de mudança, rumo a expansão do Reino de Deus.

Estou seguro de que a geração de riqueza deve ter um propósito além do enriquecimento, pois não é coerente que uma cidade, estado, país ou corporação sejam referência para o mundo e a sua volta, as coisas não mudem, muito menos coerente com o evangelho que queremos anunciar em nossas empresas.

Líderes cristão, empresários que entenderam sua vocação e seu chamado, deveriam levar times a pensar nestas contradições e facilitar completamente as iniciativas de tratamento destas dores e mazelas da sociedade, em certa medida, criadas pelas contradições que provocam as tão bem-vindas inovações.

Conselhos deveriam brigar para aprovar recursos aplicados a estas dores, com maior alegria do que quando pagam bônus a executivos que geram resultados.

Quais as contradições que te incomodam hoje na sua cidade, empresa, comunidade que poderiam gerar alguma iniciativa para você ajudar a resolver? Que tal se engajar em causas que mobilizam o seu coração?

Há cerca de 10 anos atrás vi a dor dos jovens em situação de vulnerabilidade e isso gerou uma grande contradição comigo, pois tenho duas filhas que nunca passaram por esta situação.

Percebi que poderia usar minha influência e papeis no mundo corporativo para tentar dar alguma oportunidade para aqueles jovens, pois claramente não tinham a mesma oportunidade que minhas filhas teriam. Então me envolvi diretamente com uma organização (http://abcvida.org.br/) que atua com programas de aprendizagem e cuida de jovens que estão buscando seu primeiro emprego. Já passaram por lá mais milhares de jovens. Não resolveu o problema do mundo, mas diminuímos a dor destas famílias usando parceiras com empresas e profissionais de diversas áreas.

Esta contradição segue sendo estudada e atendida em parte, porque a ABC Vida resolveu não fechar os olhos.

Mais recentemente resolvi participar financeiramente apoiando o projeto da Cristolândia, que tem se espalhado pelo Brasil para atuar nesta mazela que são as drogas na vida das pessoas. Veja este site https://www.cristolandia.org/ e quem sabe, haja conexão com sua empresa, e você decida participar de um projeto como este.

Minha conclusão foi que, não precisamos ir ao Vale do Silício nos EUA para ver estas contradições, elas estão na nossa vizinhança e por todas as cidades, mas por outro lado, percebi que, nossas empresas podem atuar diretamente para inovar no processo de transformação da sociedade, afinal de contas, como lemos em Rm 14: 17-18,

17Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo;
18aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens.
 

se queremos expandir o Reino de Deus por meio de nossas empresas, estas características precisam estar presentes onde estivermos, porque as boas novas do evangelho do Reino de Deus são tão simples, que até uma criança entende.

ELO!
Dongley Martins
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Conselheiro de empresas, Investidor em startups na fase pré-seed e seed, Empreendedor por 10 anos no setor de logística, 15 anos atuando com recuperação de empresas e 5 anos no mercado financeiro de investimentos.

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